22/12/2009

REFENS DO DESENVOLVIMENTO INSUSTENTÁVEL.

SERGIO ANNIBAL (Rumos do Brasil)
A falta de resultados efetivos na 15ª Reunião das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, que deve como tema as mudanças climáticas, encerrada em Copenhague no dia 19, demonstra claramente que as lideranças políticas nacionais são “REFENS DO DESENVOLVIMENTO INSUSTENTÁVEL”.
No sistema capitalista espoliativo atual todos os países são na verdade sócios da exploração da natureza e por isso são “raposas dentro do galinheiro”. O problema que nesse galinheiro planetário não basta dividir quantas galinhas cada um vai comer, pois não há galinhas para todos. Cabe esclarecer, mantendo a analogia, que a taxa de reprodução e crescimento das galinhas é menor que a das raposas, que são clonadas e se multiplicam por papeis falsos do sistema e por isso a conta é negativa.
Por outro lado, essa eventual falta de resultados protocolares na reunião pode significar que há uma luz no fim do túnel. Uma luz de consciência e honestidade nas atitudes de lideres reconhecendo que estão reféns do desenvolvimento insustentável e do sistema financeiro, que esta sendo sustentado pelas economias nacionais. Um exemplo dessa situação é a falta de atitudes efetivas e compromissos dos Estados Unidos, representados pela curta estadia do presidente Obama, caracterizando, de certo modo, sua sensibilidade pessoal em reconhecer que as soluções paliativas de tentar encanar o mundo com compensações financeiras pelos impactos causados não são soluções sustentáveis. Não basta pagar para poluir. Mesmo porque certos recursos vitais para sociedade atual como petróleo são finitos, tendo preços especulativos e guerras por reservas naturais.
Portanto a “crise Financeirambiental”, conforme denominamos em artigo anterior, não poderá ser resolvida pela lógica do capital, mas sim pelo controle efetivo sobre a qualidade e quantidade dos bens de consumo. A sociedade e os governos não podem mais ouvir exclusivamente e seguir como único padrão o voraz “papai Mercado”, mais sim ouvir e conversar muito mais com a “mãe Natureza”.
Mas quem é capaz de ouvir e contabilizar a Natureza real?
É claro que não é o mercado financeiro, pois esse transforma rapidamente qualquer comportamento chamado de responsabilidade ambiental em índices ou indicadores para aumentar o preço das ações no sistema, simplesmente acumulando mais “papel financeiro” para enriquecer alguns e confundir a maior parte da mídia, que é também filhote do Mercado. Evidentemente, menos ainda, podemos contar com as empresas, que são conduzidas para transformar sua eficiência de trabalho e inteligência em papeis financeiros. Portanto, voltando a nossa analogia, a chamada iniciativa privada esta viciada em “comer muitas galinhas por segundo” na lógica de engordar e gerar mais papeis para os mercados, que são lobos forazes que se distribuem por todo o planeta funcionando em rede durante 24 horas.
Por outro lado, a maioria dos governos imediatistas dos países ricos ou emergentes são, cada vez mais, sócios diretos ou indiretos das empresas e do consumo, se alimentando de impostos, que teoricamente serão investidos em galinheiros e ração para aumentar a produção de galinhas. Cabe lembrar que esse ciclo não se equilibra, pois mesmo o incremento de recursos biológicos renováveis é petróleo dependente.
Portanto a única saída para ouvir e conversar com a Natureza é estabelecermos em cada país uma verdadeira democracia real e livre, para que a sociedade civil organizada e a maioria da população trabalhadora possam ter capacidade de ponderar participar, compartilhar e saber escolher novos programas de desenvolvimento e lideranças que não sejam “reféns da insustentabilidade”.
A sensibilidade da sociedade e da ONU sobre parte dessa situação já existia em 1992. Esse processo, de certa forma, começou a acontecer na Conferência do Meio Ambiente - Rio 92, quando houve paralelo ao evento dos chefes de Estado o Fórum Social e Ambiental, realizado no aterro do Flamengo, que deve um papel fundamental demonstrando que há outros pensamentos e propostas para a sociedade criar um processo civilizatório inteligente, que não ficaria limitado ou refém do sistema financeiro e lógicas globalizantes mundiais.
Essa estratégia de eventos paralelos e simultâneos, que a princípio polarizavam “políticas de governança para sustentabilidade” – na reunião de chefes de Estado e “ações sócio-ambientais populares para o desenvolvimento sustentável” – no aterro do flamengo, eram convergentes e complementares, iniciando uma possibilidade efetiva para o desenvolvimento de uma responsabilidade ambiental de todos. Mas incomodavam a lógica neoliberal predominante e crescente na política da época e a ordem foi dividir, tentando isolar a questão ambiental e fortalecendo a separação em locais e datas diferentes dos Fóruns Social e Fórum Econômico. O primeiro passou a incluir o meio ambiente como anexo das questões sociais, que deveriam ser resolvidas na lógica pelo mercado e induziu-se que o chamado ambientalismo poderia prejudicar as soluções dos problemas sociais. O Fórum Econômico por sua vez, usando um discurso bonito da sustentabilidade, tornou-se um lobo vestido de vovó e explicou que a saída era o máximo empreendedorismo de todos para salvarmos os pobres. Mas esse já outro aspecto da história.
Em síntese a situação é complexa, mas poderemos encontrar o caminho se cada vez mais pessoas de todas as classes sociais souberem vencer seus preconceitos contra as políticas chamadas de ambientalistas e compreenderem que elas são em essência a raiz da árvore para a sustentabilidade do planeta e paz entre os homens. A velocidade desse entendimento será proporcional a qualidade e liberdade de todos os tipos de mídia, que no mínimo deveriam manter e proporcionar espaços iguais e integrados para ouvir e conversar com o “Mercado” e a “Natureza”.

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