15/07/2009

Um mercado que vale mais de R$ 17 bilhões por ano


Brasil produz 150 mil toneladas de lixo doméstico por dia, coletadas por um pequeno grupo de empresas
Andrea Pinheiro
andreapinheiro.pe@diariosassociados.com.br

A disputa pelo contrato da coleta de resíduos sólidos do Recife entre as empresas Qualix Serviços Ambientais e Vital Engenharia Ambiental mostra apenas uma faceta de um mercado que movimenta mais de R$ 17 bilhões por ano no Brasil. Muito dinheiro controlado por poucos. Atendendo, muitas vezes, a interesses não republicanos.
O país produz 150 mil toneladas de lixo doméstico diariamente e todo esse volume precisa ser coletado e receber um destino final. São serviços de responsabilidade dos municípios, mas que podem ser terceirizados. E é o que acontece principalmente nas cidades de maior porte, transformando o lixo em um produto altamente rentável.


O problema é que esse mercado do lixo está nas mãos de poucas empresas, boa parte delas pertencentes a empreiteiras. A Camargo Corrêa tem a Cavo Serviços e Saneamento; a Queiroz Galvão, a Vital Engenharia Ambiental, que acaba de assinar contrato emergencial com a Prefeitura do Recife no valor de R$ 44,9 milhões por seis meses. Para se ter uma ideia, a coleta dos resíduos das 26 capitais brasileiras e de Brasília é realizada por menos de 20 empresas diferentes. São as mesmas que dominam o serviço em outras cidades brasileiras.

A Vital, além do Recife, atua em Vitória (ES). O grupo Queiroz Galvão, porém, também está em São Paulo (SP), como integrante do consórcio Ecourbis, ao lado da Heleno Fonseca e da Marquise. Essa, por sua vez, é responsável pela coleta do lixo em quatro capitais. A Qualix, que acaba de ser dispensada pelo Recife, tinha contratos em Porto Alegre (RS), Teresina (PI), Goiânia (GO), Cuiabá (MT) e Brasília (DF). Em Teresina, repetiu os mesmos problemas apresentados por aqui, apresentando queda na qualidade do serviço, e sofreu represálias. Já em Brasília, perdeu a licitação para a Delta Construções.

A Qualix é uma das poucas internacionais que atuam no Brasil - o mercado do lixo só abriu as portas para empresas estrangeiras nos últimos anos. A empresa faz parte do grupo argentino Sociedad Macri,que teve um fantástico crescimento econômico durante o governo do presidente Carlos Meném. O atual chefe de governo de Buenos Aires (capital argentina), Mauricio Macri, é vice-presidente do grupo. Outra curiosidade: também foi presidente do Club Atletico Boca Juniors, desligando-se do cargo para concorrer à eleição.

Máfia - Se o montante de R$ 17 bilhões impressiona, imagine o quanto o mercado do lixo movimenta no mundo. Como todo mercado lucrativo, desperta o interesse do crime organizado. Os organismos internacionais, hoje, reconhecem a existência do que chamam do tráfico do lixo, assim como existem o de drogas e o de armas. Ele é responsável por transações na ordem de mais de US$ 15 bilhões ao ano (dados da Onu) e se dá com o despejo de resíduos dos países desenvolvidos nos mais pobres, mascarados de exportações destinadas à reciclagem.

O Brasil foi vítima desse "comércio" nesta semana. Dois carregamentos de contêineres, com mais de mil toneladas de lixo oriundos da Europa, foram encontrados nos portos de Santos (SP) e de Rio Grande (RS). Essas cargas têm chegado ao Brasil desde fevereiro - em junho, a Receita Federal encontrou 64 contêineres com lixo - e a Polícia Federal está investigando o caso. O episódio repete o que já acontece na África e na Ásia, com participação, por exemplo, das máfias italianas.

Fazendo as contas se o Brasil está gastando R$ 17 bi/ano com 150.000 toneladas/dia de lixo, equivale a um gasto diário de R$310,50/t para coleta, transporte e destinação final - o que é muita grana!!!


Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/07/12/politica1_0.asp

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